Como começou o OPA:
Tudo nasceu do meu desejo de unir os meus dotes naturais para as artes e minha vocação religiosa e sacerdotal. Quando a vocação se transformou em missão senti o desejo de ajudar a transformar o mundo conforme a Espírito de Cristo, usando “minhas armas”: meu violão e meu cantar. Naquele tempo, não negaria em mim tudo que o artista geralmente deseja: aparecer, ter sucesso, brilhar, ser escutado etc.
Quando em 1956 entrei no seminário para ser um jesuíta, já tocava o violão e cantava; algo que já me era familiar, pois meu pai era músico (tocava violão, piano e bandoneón – o instrumento do tango). Meu irmão e minha irmã caçulas foram se dedicar à musica também fazendo parte de um trio. Eu era sempre solicitado para cantar nas festas do seminário e tocar nas liturgias. (Aprendi a tocar o harmônio), e regia os corais.
Quando 10 anos depois, vim pela primeira vez ao Brasil em 1966, e estava em São Leopoldo (RS) fazendo minha teologia, recebi um convite para dar uma palestra na Unisinos. Era Semana Santa (31 de março) e o tema era: “O amor e a dor na canção de sucesso”. Foi uma semente produtiva, pois ganhei mais dois ou três convites, e posteriormente uma sucessão deles. Cantava as canções de sucesso e as analisava. Data dali a pesquisa que comecei a fazer e nunca mais parei, sobre tudo que é sucesso: Canções, livros, poesias, filmes, novelas, temas, objetos, pessoas. Sempre fazia a mesma pergunta: “por quê faz sucesso?”, percebendo que isso ocorria porque respondia a uma necessidade popular tratava de entender qual era essa necessidade; e quais as maneiras de corresponder dos diferentes estamentos da sociedade às tais necessidades.
Minha mensagem era tratar de mostrar qual a resposta equilibrada em termos pessoais, de Igreja e de Sociedade nesse contexto e momento.
Depois de cantar por muito tempo as canções de sucesso dos outros, começaram a me pedir canções próprias. Coisa que eu comecei a fazer timidamente pelo fato de ser paraguaio, estrangeiro, e estar apenas há dois anos no Brasil. Em maio de 1968 gravei com as Paulinas o Compacto Irala Canta, com as canções Mundo Jovem, Creio e Oração de São Francisco e Testemunha (uma versão).
Corri todo o estado do Rio Grande do Sul e até mais, violão em punho, voz e mensagem. São Leopoldo, Caxias, Montenegro, Taquari, Scharlau, Canoas, Porto Alegre, Rio Grande, Viamão, Salvador do Sul, Fazenda Souza, Gramado, Gravataí, Taquaritinga, Passo fundo, Novo Hamburgo, Estrela, Joinville, Florianópolis, São Paulo, em Colégios, Paróquias, Clubes, Rádios, Televisão e até nos famosos CTG (Centro de Tradições Gaúchas).
Tinha 30 anos na data desta foto, enfrente do Seminário Cristo Rei. No fundo o Santuário do Coração de Jesus onde está o túmulo do Pe. Réus, venerado como santo pelos gaúchos.

Tenho saudade… Participei de dois OPAs nacionais, Curitiba e salvador entre 2001 e 2003. amei. Dirce do primeiro OPA BH.
Saudades mil…………………………………